0234/2026 - FATORES ASSOCIADOS À NÃO VACINAÇÃO CONTRA O PAPILOMAVÍRUS HUMANO EM ESCOLARES: PESQUISA NACIONAL DA SAÚDE DO ESCOLAR, 2019. FACTORS ASSOCIATED WITH NON-VACCINATION AGAINST HUMAN PAPILLOMAVIRUS IN SCHOOLCHILDREN: NATIONAL SCHOOL HEALTH SURVEY, 2019.
Objetivo: analisar os fatores associados à não vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) entre adolescentes escolares. Métodos: Estudo derivado da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) de 2019, com estudantes do 3º ao 7º ano do ensino fundamental e do ensino médio das redes públicas e privadas. A análise dos dados foi realizada no programa Statistical Package for Social Sciences (SPSS), versão 22.0, considerando nível de significância estatística de 0,05. Resultados: Participaram do estudo 160.721 estudantes com idades entre 13 e 17 anos. Observou-se maior chance de não vacinação entre o sexo masculino (OR= 3,007, IC95%=2,403–3,764), raça/cor preta (OR= 1,332, IC95%=1,211–1,465), ter tido relação sexual (OR= 1,528, IC95%=1,404–1,664), não ter usado preservativo na primeira relação sexual (OR=1,508, IC95%=1,329–1,711), ter 18 anos de idade ou mais, comparado aos menores de 13 anos (OR= 3,265, IC95%=2,825–3,774). Conclusão: As maiores chances de não vacinação ocorreram entre os que tiveram o primeiro contato sexual sem proteção, do sexo masculino, autodeclarados pretos, que já haviam tido relação sexual e com 18 anos ou mais. Recomenda-se planejar estratégias para ampliar a cobertura vacinal contra o HPV e as iniciativas de educação em saúde sexual nas escolas.
Palavras-chave: comportamento sexual, saúde escolar, vacina contra o papilomavírus, adolescente.
Palavras-chave:
comportamento sexual, saúde escolar, vacina contra o papilomavírus, adolescente.
Abstract:
Objective: To analyze the factors associated with non-vaccination against Human Papillomavirus (HPV) among adolescent students. Methods: This study was derived from the 2019 National School Health Survey (PeNSE), with students from the 7th grade of elementary school to the 3rd year of high school from public and private schools. Data analysis was performed using the Statistical Package for Social Sciences (SPSS), version 22.0, considering a statistical significance level of 0.05. Results: A total of 160,721 students aged 13 to 17 years participated in the study. There was a greater chance of non-vaccination among males (OR = 3.007, 95% CI = 2.403-3.764), black race/color (OR = 1.332, 95% CI = 1.211–1.465), having had sexual intercourse (OR = 1.528, 95% CI = 1.404–1.664), not having used a condom in the first sexual intercourse (OR = 1.508, 95% CI = 1.329–1.711), being 18 years of age or older compared to those under 13 years of age (OR = 3.265, 95% CI = 2.825–3.774). Conclusion: The highest chances of non-vaccination occurred among who had their first unprotected sexual contact, were male, self-declared black, who had already had sexual intercourse, and were 18 years of age or older. It is recommended to plan strategies to expand HPV vaccination coverage and sexual health education initiatives in schools.
Keywords:
Sexual behavior. School health. Papillomavirus vaccine. Adolescent.
Conteúdo:
INTRODUÇÃO
A principal via de transmissão do Papilomavírus Humano (HPV) é a relação sexual desprotegida. Estima-se que cerca de 80% dos indivíduos sexualmente ativos serão infectados em algum momento da vida1-2. A infecção pode ser assintomática ou persistente e, nessa última condição, levar ao surgimento de verrugas, lesões pré-cancerosas e cancerígenas2.
A adolescência é uma etapa do desenvolvimento físico, psíquico e emocional do ser humano marcada por inúmeras transformações e adaptações. As variáveis hormonais e o despertar dos desejos sexuais que afloram nessa fase tendem à vivência sexual precoce, à multiplicidade de parceiros e à busca por aceitação em grupos, o que coloca esse público em uma situação de vulnerabilidade às Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST)3.
O Programa Nacional de Imunizações (PNI), vinculado ao Ministério da Saúde do Brasil, incorporou, em 2014, ao Calendário Nacional de Vacinação do Adolescente a vacina contra o HPV. Inicialmente, o esquema vacinal era composto por três doses destinadas a meninas com idade entre 11 e 13 anos. Diante da importância epidemiológica dos adolescentes do sexo masculino na cadeia de transmissão do vírus, em 2017 o público-alvo da vacinação foi ampliado para incluir meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 13 anos de idade4-5.
A estratégia da vacinação contra o HPV no Brasil vem enfrentando a baixa adesão dos adolescentes ao esquema vacinal completo. Entre 2014 e 2020, a cobertura vacinal (CV) contra o HPV no país foi de 49,6% em meninas e meninos de 9 a 14 anos, sendo 60,3% o percentual referente à 1ª dose e 39% à 2ª dose6.
Em 2024, seguindo as orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre a eficácia do esquema de dose única na proteção contra o câncer do colo do útero, o PNI adotou o regime de dose única para adolescentes de ambos os sexos, com idade entre 9 e 14 anos, além de implementar estratégia de resgate para adolescentes não vacinados de até 19 anos de idade7.
As práticas sexuais de risco, como o início precoce da vida sexual, o sexo desprotegido e a multiplicidade de parceiros, associadas à baixa adesão vacinal, aumentam a suscetibilidade dos adolescentes à contaminação pelo HPV8. A literatura aponta como os principais motivos para a não vacinação contra o HPV os fatores socioeconômicos, a aceitação dos pais, o conhecimento sobre a vacina e as questões de gênero3-6. Todavia, são escassos os estudos que relacionam a saúde sexual à vacinação contra o HPV.
Nesse contexto, o objetivo deste estudo é analisar os fatores associados a não vacinação contra o HPV entre os adolescentes escolares participantes da Pesquisa Nacional de Saúde Escolar (PeNSE), edição 2019. A realização desta pesquisa justifica-se pela necessidade de compreender as variáveis relacionadas à não vacinação contra o HPV e, consequentemente, à maior vulnerabilidade à infecção pelo vírus. Essa análise busca contribuir para uma compreensão mais ampla do problema e subsidiar estratégias mais eficazes.
Espera-se que os resultados obtidos fomentem o planejamento de estratégias que fortaleçam as ações de saúde voltadas à promoção e à prevenção de agravos relacionados ao HPV, com foco nos fatores relacionados à não vacinação dos escolares.
MÉTODOS
Trata-se de um estudo transversal analítico com dados da PeNSE, edição 2019, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em parceria com o Ministério da Saúde e com apoio do Ministério da Educação, com o objetivo de reunir informações sobre a saúde dos escolares no Brasil 9.
A população do estudo compreendeu estudantes da rede pública e privada de ensino de todo o país, com idade entre 13 e 17 anos, cursando do 7º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio.
Para a amostragem, a pesquisa seguiu um plano amostral previamente definido em dois estágios: a seleção das escolas e das turmas de alunos matriculados. As escolas foram selecionadas com probabilidades proporcionais ao seu tamanho, medido pelo número de turmas informadas no cadastro de escolas do Censo Escolar 2017. Para as turmas, aplicou-se uma amostragem aleatória simples. Ao final, a amostra incluiu todos os alunos das turmas selecionadas, totalizando 160.721 estudantes, dos quais 159.245 tiveram questionários válidos e 125.123 analisados9.
A coleta de dados ocorreu entre abril e setembro de 2019. Dois questionários estruturados, disponibilizados em smartphones, foram utilizados: do aluno e do ambiente escolar 9.
Este estudo teve como variável dependente a vacinação autorreferida contra o HPV, obtida pela resposta ao questionamento: “Você foi vacinado (a) contra o vírus HPV?” as categorias foram “sim” (categoria de referência), para os adolescentes que afirmaram ter recebido alguma dose da vacina, e “não” (categoria de contraste) para aqueles que referiram não ter sido vacinados até o momento da aplicação do questionário. As variáveis independentes foram selecionadas por meio de revisão bibliográfica, considerando aquelas que demonstraram possível associação com a vacinação contra o HPV10-11, e estão listadas a seguir:
• Variáveis sociodemográficas: sexo (masculino e feminino), raça/cor de pele (branca, preta, amarela, parda, indígena), faixa etária em anos (menor de 13, 13 a 15, 16 a 17, 18 ou mais), série escolar (6º, 7º, 8º, 9º ano do ensino fundamental e 1º, 2º, 3º ano do ensino médio), escola (pública e privada).
• Variáveis da saúde sexual: relação sexual (já teve relação sexual e não teve), idade da primeira relação sexual em anos (9 ou menos, 10,11,12,13,14,15,16,17,18 ou mais), uso de camisinha na primeira e última relação sexual (sim, não), assim como o tipo de método contraceptivo usado na última relação sexual (pílula anticoncepcional, injetável, implante, diafragma, diu, pílula do dia seguinte, tabelinha, coito interrompido, outros).
As respostas do questionário da PeNSE foram obtidas no site do IBGE, organizadas em planilhas do Microsoft Excel e posteriormente analisadas no programa estatístico Statistical Package for Social Sciences (SPSS), versão 22.0.
Inicialmente, foram apresentadas as principais características sociodemográficas dos adolescentes da PeNSE por meio de frequência absoluta e frequência relativa/prevalência. Em seguida, as variáveis componentes dos eixos “fatores sociodemográficos” e “saúde sexual” foram associadas à situação vacinal pelo teste do qui-quadrado de Pearson. Essa etapa teve por objetivo selecionar as variáveis a serem incluídas no modelo multivariado (ajustado). Adotou-se o nível de significância estatística de até 0,25 como critério de entrada.
As variáveis que se demonstraram significativas foram incluídas no modelo de regressão logística múltipla (RLM) para estimar OR ajustado, bem como seus intervalos de confiança de 95% (IC95%). O método enter foi utilizado para testar todas as variáveis incluídas de acordo com o critério de entrada. Valores cujo intervalo incluía 1 não indicaram associação.
Todas as estatísticas do estudo consideraram o plano amostral complexo e as suposições do teste, incluindo o teste de multicolinearidade para RLM, exceto para as frequências absolutas. As análises foram conduzidas pelo método de exclusão por casos completos (listwise), de modo que em cada participante com dados ausentes em variáveis específicas foram omitidos apenas naquela análise, o que explica eventuais variações de N entre tabelas e testes.
As análises foram realizadas no módulo Complex Samples do SPSS, adequado para planos amostrais complexos. Considerando que a PeNSE adota amostragem complexa, cada aluno com questionário válido possui peso amostral, garantindo estimativas representativas da população de adolescentes.
Aspectos éticos
De acordo com a Resolução nº 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde (CNS), por se tratar de um estudo baseado em banco de dados secundário, de domínio público e anonimizado, não houve necessidade de apreciação pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP)12.
RESULTADOS
A maioria dos estudantes era do sexo feminino (50,9%), residentes nas regiões Sudeste (40%), com faixa etária entre 13 e 15 anos (51,6%), autodeclarados pardos (43,9%), frequentando o 1º ano do ensino médio (19,1%) e vinculados às escolas públicas (84,6%).
A prevalência autorreferida da vacinação contra o HPV foi de 80,7% entre os adolescentes escolares. Essa proporção não considerou o esquema de doses nem a idade do recebimento do imunobiológico. Apenas 19,3% referiram não ter recebido nenhuma dose da vacina.
Apresentam-se, na Tabela 1, os resultados da análise bivariada da situação vacinal autorreferida contra o HPV pelos adolescentes componentes da amostra. A categoria “sim” indica os que receberam alguma dose da vacina, enquanto “não” refere-se aos que não receberam nenhuma. Também foram inseridas as variáveis sexo, raça/cor, faixa etária, série, escola, bem como os aspectos inerentes ao comportamento sexual dos adolescentes.
Tabela 1. Situação vacinal contra o HPV segundo características sociodemográficas e de comportamento sexual de adolescentes escolares. Brasil, 2019.
Tab. 1
A análise multivariada, disposta na Tabela 2, demonstrou que as variáveis escola, série, uso de preservativo e método contraceptivo na última relação sexual não se associaram à vacinação autorreferida contra o HPV.
Tabela 2. Análise multivariada dos fatores sociodemográficos e de saúde sexual associados a não vacinação autorreferida contra o HPV. Brasil, 2019.
Tab.2
Entre as variáveis que demonstraram associação significativa, estão: os adolescentes do sexo masculino, que tiveram 3 vezes mais chances de não terem sido vacinados quando comparados ao feminino (OR= 3,007, IC95% = 2,403 - 3,764). Em relação à raça/cor, os escolares que se declararam de pele preta apresentaram maior chance de não vacinação em relação aos que se declararam brancos (OR= 1,332, IC95% = 1,211 – 1,465). O mesmo ocorreu entre os escolares com 18 anos de idade ou mais em relação aos menores de 13 anos (OR= 3,265, IC95% = 2,825 – 3,774).
O início da vida sexual aumentou em 1,5 vezes a chance de não se vacinar contra o HPV (OR= 1,528, IC95%= 1,404 – 1,664). Por outro lado, entre os adolescentes que tiveram sua primeira relação sexual aos 14 anos de idade, houve redução de 47% na chance de não serem vacinados, tendo como referência os que iniciaram aos 9 anos ou menos (OR= 0,531, IC95% = 0,410 – 0,889).
Quanto ao uso do preservativo na primeira relação sexual, observou-se que não ter se prevenido nesse momento elevou em 1,5 vezes a chance de não vacinação, quando comparado aos que utilizaram o preservativo (OR=1,508, IC95%=1,329 – 1,711).
DISCUSSÃO
Os achados deste estudo evidenciam que o percentual de escolares imunizados contra o HPV não atingiu a meta de cobertura vacinal estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde (MS). Entre as variáveis independentes, observou-se maior razão de chances de não vacinação contra o HPV entre adolescentes do sexo masculino, autodeclarados de raça/cor preta, com experiência sexual e que relataram comportamento sexual de risco na primeira relação.
A prevalência da vacinação contra o HPV obtida nesta pesquisa foi de 80,7% entre os adolescentes escolares, percentual inferior à meta estabelecida. Em 2020, o Brasil implementou a meta recomendada pela OMS de 90% de cobertura vacinal no público-alvo da vacina contra o HPV. Tal indicador integra as metas de saúde pública voltadas à erradicação da pobreza e ao alcance do desenvolvimento sustentável no planeta13.
Atingir a meta preconizada é fundamental para a possível erradicação dos diferentes tipos de câncer relacionados ao HPV, sendo categórica a necessidade de sua efetiva implementação14. Todavia, a prevalência vacinal neste estudo foi superior a 70%, o que pode reduzir em até 43% a incidência do câncer do colo do útero ao longo da vida15.
Quanto às variáveis associadas à vacinação contra o HPV, ser do sexo masculino apresentou maior chance de não vacinação. De modo convergente, um estudo conduzido no município de Teresina indicou que ser do sexo masculino diminui em 50% a probabilidade de adesão à vacina contra o HPV16.
Outra pesquisa com adolescentes escolares concluiu que o sexo feminino apresentou maior acesso e cobertura vacinal anual contra o HPV (74,91% e 46,20%, respectivamente), sendo a chance de vacinação quase três vezes superior à dos homens17. No Distrito Federal, entre 2013 e 2023, apenas 31,4% do total de doses aplicadas corresponderam ao sexo masculino18.
Essa disparidade entre os gêneros não se restringe ao contexto brasileiro. Uma revisão de literatura sobre os Programas de Imunizações da América Latina e do Caribe evidenciou que, entre os noves países com taxas de vacinação por sexo, os homens apresentavam taxas consistentemente menores de vacinação contra o HPV. Apenas quatro países alcançaram cobertura superior a 50% para a primeira dose e somente dois ultrapassaram esse percentual para a dose final19.
É possível que a menor adesão vacinal contra o HPV entre os meninos esteja relacionada à baixa percepção de risco, ao desconhecimento sobre o imunobiológico, às dificuldades de acesso aos serviços de saúde e à insegurança quanto à vacina16-20. A resistência masculina em tomar a vacina contra HPV também é apontada em estudos sobre hesitação vacinal realizados nas cinco regiões do país20.
Outro achado relevante foi a maior chance de não vacinação entre adolescentes autodeclarados de raça/cor preta, resultado igualmente identificado em outras pesquisas21. Uma revisão de literatura sobre o tema apontou que a maior vacinação entre os brancos está associada às questões socioeconômicas, de acesso e de conhecimento sobre a vacina contra o HPV22.
A vivência da relação sexual e o não uso de preservativo na primeira relação também foram associados à maior chance de não vacinação. Adolescentes que não se vacinaram e praticam sexo desprotegido enfrentam uma dupla vulnerabilidade à infecção, considerando que o HPV é uma IST e que sua principal via de transmissão é a sexual1.
No Brasil, apenas 22,8% dos indivíduos usam regularmente o preservativo, o que amplia o risco de infecção pelo HPV23-1. Diante disso, a vacinação é recomendada preferencialmente antes do adolescente iniciar as suas atividades sexuais, de modo a garantir proteção prévia à exposição ao vírus7.
Muitos jovens, entretanto, deixam de se vacinar contra o HPV por receio de que a decisão de tomá-la seja associada, pelos pais, ao início da vida sexual. Como consequência, acabam iniciando a atividade sexual sem imunização24.
A maior chance de não vacinação entre os que possuem 18 anos ou mais, tendo por referência os escolares com 13 anos de idade, pode ser justificada pelo curto intervalo entre a implementação da vacina contra o HPV e o período de coleta da pesquisa, bem como pelas alterações dos critérios de gênero e idade do público-alvo da vacina4-5.
Esse estudo apresenta algumas limitações. As informações sobre a vacinação contra o HPV foram autorreferidas, sem verificação da caderneta vacinal, o que aumenta a possibilidade do viés de memória. Além disso, por se tratar de um estudo transversal, não é possível estabelecer relações de causalidade. Houve ainda não respostas em alguns itens do questionário, o que pode ter introduzido viés de não-resposta.
Todavia, os resultados aqui apresentados são relevantes por se basearem em um inquérito desenvolvido em todo o território nacional, com elevada representatividade, relacionando a situação vacinal contra o HPV com o comportamento sexual de escolares, principais determinantes para a prevenção do vírus.
A partir dos dados aqui discutidos, torna-se essencial promover campanhas informativas voltadas à conscientização sobre a importância da vacinação contra o HPV, principalmente entre os homens. É igualmente fundamental planejar medidas educativas que promovam o cuidado masculino em saúde, reduzam as desigualdades étnicas na vacinação e incentivem o sexo seguro entre os adolescentes20.
Conclui-se que os adolescentes escolares com maiores chances de não vacinação foram aqueles que tiveram seu primeiro contato sexual sem proteção, sendo, portanto, vulneráveis à infecção. A não vacinação contra o HPV esteve associada ao sexo masculino, à raça/cor preta, ao início da vida sexual e à idade igual ou superior a 18 anos, quando comparada aos menores de 13 anos.
Espera-se que esta pesquisa contribua para o fortalecimento das ações de saúde voltadas à promoção de comportamentos sexuais seguros e ao aumento da cobertura vacinal contra o HPV entre os adolescentes escolares, servindo de subsídio às atividades do Programa Saúde na Escola.
Recomenda-se que futuros estudos avaliem formalmente a modificação de efeito por sexo, por meio de termos de interação no modelo aqui adotado ou pela substituição desse modelo por outro estratificado. Essa abordagem poderá revelar quais fatores atuam de modo distinto entre meninos e meninas, orientando estratégias de vacinação e educação em saúde mais direcionadas.
Declaração de Disponibilidade de Dados
As fontes dos dados utilizados na pesquisa estão indicadas no corpo do artigo.
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Outros idiomas:
FACTORS ASSOCIATED WITH NON-VACCINATION AGAINST HUMAN PAPILLOMAVIRUS IN SCHOOLCHILDREN: NATIONAL SCHOOL HEALTH SURVEY, 2019.
Resumo (abstract):
Objective: To analyze the factors associated with non-vaccination against Human Papillomavirus (HPV) among adolescent students. Methods: This study was derived from the 2019 National School Health Survey (PeNSE), with students from the 7th grade of elementary school to the 3rd year of high school from public and private schools. Data analysis was performed using the Statistical Package for Social Sciences (SPSS), version 22.0, considering a statistical significance level of 0.05. Results: A total of 160,721 students aged 13 to 17 years participated in the study. There was a greater chance of non-vaccination among males (OR = 3.007, 95% CI = 2.403-3.764), black race/color (OR = 1.332, 95% CI = 1.211–1.465), having had sexual intercourse (OR = 1.528, 95% CI = 1.404–1.664), not having used a condom in the first sexual intercourse (OR = 1.508, 95% CI = 1.329–1.711), being 18 years of age or older compared to those under 13 years of age (OR = 3.265, 95% CI = 2.825–3.774). Conclusion: The highest chances of non-vaccination occurred among who had their first unprotected sexual contact, were male, self-declared black, who had already had sexual intercourse, and were 18 years of age or older. It is recommended to plan strategies to expand HPV vaccination coverage and sexual health education initiatives in schools.
Palavras-chave (keywords):
Sexual behavior. School health. Papillomavirus vaccine. Adolescent.
FATORES ASSOCIADOS À NÃO VACINAÇÃO CONTRA O PAPILOMAVÍRUS HUMANO EM ESCOLARES: PESQUISA NACIONAL DA SAÚDE DO ESCOLAR, 2019
FACTORS ASSOCIATED WITH NON-VACCINATION AGAINST HUMAN PAPILLOMAVIRUS IN BRAZILIAN SCHOOLCHILDREN: NATIONAL SCHOOL HEALTH SURVEY, 2019
FACTORES ASOCIADOS A LA NO VACUNACIÓN CONTRA EL VIRUS DEL PAPILOMA HUMANO EN ESCOLARES: ENCUESTA NACIONAL DE SALUD ESCOLAR, 2019
Thayanne Coelho Moura Machado
(email: thayannecoelhomoura@gmail.com, orcid: https://orcid.org/0000-0001-5609-4956)1
Jesusmar Ximenes Andrade
(email: JESUSMAR@UFPI.EDU.BR, orcid: https://orcid.org/0000-0001-6107-858X)1
Fernando Ferraz do Nascimento
(email: fernandofn@ufpi.edu.br, orcid: https://orcid.org/0000-0003-0625-0097)1
Malvina Thais Pacheco Rodrigues
(email: malvina@ufpi.edu.br, orcid: https://orcid.org/0000-0001-5501-0669)1
Márcio Dênis Medeiros Mascarenhas
(email: mdm.mascarenhas@gmail.com, orcid: https://orcid.org/0000-0001-5064-2763)1
Luisa Helena de Oliveira Lima
(email: luisa17lima@ufpi.edu.br, orcid: https://orcid.org/0000-0002-1890-859X)1
1Federal University of Piauí, Teresina, Piauí, Brazil.
RESUMO
Objetivo: analisar os fatores associados à não vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) entre adolescentes escolares. Métodos: Estudo derivado da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) de 2019, com estudantes do 3º ao 7º ano do ensino fundamental e do ensino médio das redes públicas e privadas. A análise dos dados foi realizada no programa Statistical Package for Social Sciences (SPSS), versão 22.0, considerando nível de significância estatística de 0,05. Resultados: Participaram do estudo 160.721 estudantes com idades entre 13 e 17 anos. Observou-se maior chance de não vacinação entre o sexo masculino (OR= 3,007, IC95%=2,403–3,764), raça/cor preta (OR= 1,332, IC95%=1,211–1,465), ter tido relação sexual (OR= 1,528, IC95%=1,404–1,664), não ter usado preservativo na primeira relação sexual (OR=1,508, IC95%=1,329–1,711), ter 18 anos de idade ou mais, comparado aos menores de 13 anos (OR= 3,265, IC95%=2,825–3,774). Conclusão: As maiores chances de não vacinação ocorreram entre os que tiveram o primeiro contato sexual sem proteção, do sexo masculino, autodeclarados pretos, que já haviam tido relação sexual e com 18 anos ou mais. Recomenda-se planejar estratégias para ampliar a cobertura vacinal contra o HPV e as iniciativas de educação em saúde sexual nas escolas.
Palavras-chave: comportamento sexual, saúde escolar, vacina contra o papilomavírus, adolescente.
ABSTRACT
Objective: To analyze the factors associated with non-vaccination against human papillomavirus (HPV) among adolescent students. Methods: This study was derived from the 2019 National School Health Survey, with students from the 6th to 12th grades of public and private schools. Data was analyzed using IBM SPSS 22.0, considering a statistical significance level of 0.05. Results: A total of 160,721 students aged 13 to 17 years participated in the study. There was a greater chance of non-vaccination among males (OR 3.007, 95% CI 2.403–3.764), black race/skin color (OR 1.332, 95% CI 1.211–1.465), having had sexual relations (OR 1.528, 95% CI 1.404–1.664), not having used a condom in the first sexual intercourse (OR 1.508, 95% CI 1.329–1.711), and being 18 years of age or older, compared to those under 13 years of age (OR 3.265, 95% CI 2.825–3.774). Conclusion: The highest chances of non-vaccination occurred among whose first sexual intercourse was unprotected, who were male, whose self-declared race/skin color was black, who had already had sexual intercourse, and who were 18 years of age or older. Strategies are recommended to expand HPV vaccination coverage and sexual health education initiatives in schools.
Keywords: sexual behavior, school health, papillomavirus vaccine, adolescent.
RESUMEN
Objetivo: Analizar los factores asociados a la no vacunación contra el Virus del Papiloma Humano (VPH) en estudiantes adolescentes. Métodos: Este estudio se basó en la Encuesta Nacional de Salud Escolar (PeNSE) de 2019, con estudiantes de 7.º grado de primaria a 3.º de secundaria de escuelas públicas y privadas. El análisis de datos se realizó con el paquete estadístico para ciencias sociales (SPSS), versión 22.0, con un nivel de significancia estadística de 0,05. Resultados: Participaron en el estudio 160.721 estudiantes de 13 a 17 años. Hubo mayor probabilidad de no vacunación entre los varones (OR = 3,007, IC 95% = 2,403-3,764), la raza/color negro (OR = 1,332, IC 95% = 1,211-1,465), haber tenido relaciones sexuales (OR = 1,528, IC 95% = 1,404-1,664), no haber utilizado condón en la primera relación sexual (OR = 1,508, IC 95% = 1,329-1,711), tener 18 años de edad o más en comparación con los menores de 13 años de edad (OR = 3,265, IC 95% = 2,825-3,774). Conclusión: Las mayores probabilidades de no vacunación se presentaron entre los que tuvieron su primera relación sexual sin protección, eran varones, se declaraban negros, ya habían tenido relaciones sexuales y tenían 18 años o más. Se recomienda planificar estrategias para ampliar la cobertura de vacunación contra el VPH e iniciativas de educación sobre salud sexual en las escuelas.
Palabras clave: conducta sexual, salud escolar, vacuna contra el virus del papilloma, adolescente.
INTRODUCTION
The main route of transmission of human papillomavirus (HPV) is unprotected sexual intercourse. It is estimated that about 80% of sexually active individuals will become infected at some point in their lives1–2. Infection may be asymptomatic or persistent and, in this latter case, can lead to the development of warts, precancerous lesions, and cancer2.
Adolescence is a stage of physical, psychological, and emotional development marked by numerous transformations and adaptations. Hormonal changes and the awakening of sexual desire during this phase tend to lead to early sexual activity, multiple partners, and the pursuit of peer group acceptance, making this population especially vulnerable to sexually transmitted infections (STIs)3.
In Brazil, the National Immunization Program, run by the Ministry of Health, was modified to add the HPV vaccine to the National Adolescent Vaccination Schedule. Initially, there were three doses of the vaccine for girls aged 11 to 13 years. However, given the epidemiological importance of male adolescents in the virus’s chain of transmission, in 2017 the target population was expanded to include boys aged 11 to 13 years, as well as girls aged 9 to 14 years4–5.
Uptake among adolescents of the complete regimen of HPV vaccination has been low. Between 2014 and 2020, HPV vaccination coverage in Brazil was 49.6% among girls and boys aged 9 to 14 years, with 60.3% corresponding to the first dose and 39% to the second dose6.
In 2024, after the World Health Organization (WHO) issued guidance on the effectiveness of a single dose of the vaccination against cervical cancer, the National Immunization Program adopted a single-dose regimen for adolescents of both sexes aged 9 to 14 years and implemented a catch-up strategy for unvaccinated adolescents up to 19 years of age7.
High-risk sexual behavior, such as early sexual initiation, unprotected sex, and multiple partners, combined with low vaccination uptake, increase adolescents’ susceptibility to HPV infection8. The literature has identified socioeconomic factors, parental acceptance, knowledge about the vaccine, and gender-related issues as the main reasons for non-vaccination against HPV3–6. However, studies linking sexual health to HPV vaccination remain scarce.
In this context, the objective of this study is to analyze the factors associated with non-vaccination against HPV among school-age adolescents participating in the 2019 National School Health Survey (Pesquisa Nacional de Saúde Escolar, PeNSE). This research is justified by the need to understand the variables related to non-vaccination against HPV and, consequently, greater vulnerability to infection with the virus. The analysis seeks to contribute to a broader understanding of the problem and to support more effective strategies.
It is hoped that these results will support the planning of strategies to strengthen health actions aimed at promoting health and preventing HPV-related conditions, with a focus on the factors associated with non-vaccination among school-age adolescents.
METHODS
This analytical cross-sectional study used data from the 2019 PeNSE, conducted by the Brazilian Institute of Geography and Statistics (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE) in partnership with the Ministry of Health and with support from the Ministry of Education, aimed at gathering information on the health of school-age adolescents in Brazil 9.
The study population consisted of students aged 13 to 17 years enrolled from the 7th grade through to the final year of high school, including both public and private schools across the country.
For sampling, the survey followed a previously defined two-stage sampling plan: selection of the schools and of the classes of enrolled students. Schools were selected based on probabilities proportional to their size, measured by the number of classes as recorded in the school register from the 2017 School Census. To select classes, simple random sampling was applied. In the end, the sample included all the students from the selected classes, totaling 160,721 students, of whom 159,245 had valid questionnaires, 125,123 of which were analyzed9.
The data was collected between April and September 2019. Two structured questionnaires were made available on smartphones: one for students and one for the school environment 9.
The dependent variable in this study was self-reported HPV vaccination, obtained from the responses to the question, “Have you been vaccinated against HPV?” The categories were “yes” (reference category), for adolescents who reported having received at least one dose of the vaccine, and “no” (contrast category), for those who reported not having been vaccinated at the time the questionnaire was administered. The independent variables were selected through a literature review, including only those shown to have a possible association with HPV vaccination10–11. They were:
• Sociodemographic variables: sex (male and female); race/skin color (white, black, yellow [Asian descent], brown [mixed race], Indigenous); age group in years (under 13, 13 to 15, 16 to 17, 18 or older); school grade (6th, 7th, 8th, 9th, 10th, 11th, 12th); and type of school (public and private).
• Sexual health variables: sexual intercourse (had and had not had sexual intercourse); age at first sexual intercourse, in years (9 or younger, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18 or more); condom use during first and latest sexual relations (yes, no); and type of contraception used in the latest sexual relations (birth control pill, injectable, implant, diaphragm, IUD, morning-after pill, rhythm method, withdrawal, other).
The PeNSE questionnaire responses were obtained from the IBGE website, inputted into Microsoft Excel spreadsheets, and subsequently analyzed using IBM SPSS Statistics 22.0.
First, the main sociodemographic characteristics of the adolescents were presented using absolute frequencies and relative frequencies/prevalences. Next, sociodemographic and sexual health variables were associated with vaccination status using Pearson’s chi-squared test. This step was designed to select the variables for inclusion in the multivariate (adjusted) model. A statistical significance level of up to 0.25 was adopted as the entry criterion.
Variables that were found to be statistically significant were included in the multiple logistic regression model to estimate the adjusted odds ratios (OR), as well as their 95% confidence intervals (CI). The enter method was used to test all variables included according to the entry criterion. Values whose interval included 1 indicated a lack of association.
All the statistics accounted for the complex sampling design and the assumptions of each test, including the multicollinearity test for multiple logistic regression, except for absolute frequencies. Analyses were conducted using listwise deletion, such that participants with missing data on specific variables were excluded only from that particular analysis, which explains the variations in N observed across tables and tests.
Analyses were performed using the SPSS “complex samples” module, which is suitable for complex sampling designs. Since PeNSE uses a complex sampling design, each student with a valid questionnaire had a sampling weight, ensuring estimates that were representative of the adolescent population.
Ethical Considerations
In accordance with Resolution No. 510/2016 of the Brazilian National Health Council (Conselho Nacional de Saúde), because this study was based on a secondary, anonymized, publicly available database, it did not have to be reviewed by a research ethics committee12.
RESULTS
The students were majority female (50.9%), residing in the Southeast of Brazil (40%), aged 13 to 15 years (51.6%), self-declared as being of brown skin color (mixed race) (43.9%), attending 10th grade (19.1%), and enrolled in public schools (84.6%).
The self-reported prevalence of HPV vaccination among the school-age adolescents was 80.7%. This proportion did not take into account the number of doses or the age at which the vaccine was administered. Only 19.3% of the adolescents reported not having received any dose of the vaccine.
Table 1 presents the results of the bivariate analysis of self-reported HPV vaccination status among the adolescents in the sample. “Yes” indicates those who had received at least one dose of the vaccine, while “no” refers to those who had received none. The variables sex, race/skin color, age group, school grade, and type of school were also included, as well as aspects related to adolescents’ sexual behavior.
Table1
The multivariate analysis (see Table 2) revealed that type of school, school grade, condom use, and contraceptive method used in most recent sexual relations were not associated with self-reported HPV vaccination.
Table 2
The variables that showed a significant association included male adolescents, who were three times more likely to be unvaccinated compared to females (OR 3.007, 95% CI 2.403–3.764). Regarding race/skin color, students who self-identified as black showed a higher chance of non-vaccination compared to those who self-identified as white (OR 1.332, 95% CI 1.211–1.465). The same pattern was observed among students aged 18 years or older compared to those under 13 years of age (OR 3.265, 95% CI 2.825–3.774).
Having initiated sexual activity was associated with a 1.5 times higher chance of not being vaccinated against HPV (OR 1.528, 95% CI 1.404–1.664). In contrast, the adolescents who had their first sexual intercourse at age 14 were 47% less likely not to be vaccinated, compared to those who began at age 9 or younger (OR 0.531, 95% CI 0.410–0.889).
Regarding condom use at first sexual intercourse, not having used protection at that time was associated with being 1.5 times more likely not to be vaccinated, compared to those who used a condom (OR 1.508, 95% CI 1.329–1.711).
DISCUSSION
The findings of this study show that the percentage of school-age adolescents immunized against HPV did not reach the vaccination coverage target set by the WHO and the Brazilian Ministry of Health. Among the independent variables, higher odds of non-vaccination against HPV were observed among male adolescents, those who self-identified as being black, those with sexual experience, and those who reported high-risk sexual behavior at first intercourse.
This study found the prevalence of HPV vaccination among school-age adolescents to be 80.7%—below the established target. In 2020, Brazil adopted the WHO-recommended target of 90% vaccination coverage for the target population for HPV immunization. This indicator is part of the public health targets aimed at eradicating poverty and achieving sustainable development worldwide13.
Reaching the recommended target is essential for the potential eradication of the different types of HPV-related cancer, making its effective implementation of the utmost importance14. Nonetheless, the prevalence of vaccination found in this study exceeded 70%, which can reduce the lifetime incidence of cervical cancer by up to 43%15.
Regarding the variables associated with HPV vaccination, being male was associated with a higher chance of non-vaccination. Consistent with this, a study conducted in the Teresina, northeastern Brazil, found that being male was associated with a 50% lower likelihood of receiving the HPV vaccine16.
Another study with school-age adolescents found that females had greater access to HPV vaccination and higher annual HPV vaccination coverage (74.91% and 46.20%, respectively), being nearly three times more likely to be vaccinated than males17. In the Federal District, between 2013 and 2023, males received just 31.4% of all the doses of the HPV vaccine administered18.
This gender disparity is not limited to Brazil. A literature review of immunization programs in Latin America and the Caribbean found that, among the nine countries with data on rates of vaccination by sex, males consistently had lower HPV vaccination rates than females. Only four countries achieved coverage above 50% for the first dose, and only two exceeded that percentage for the final dose19.
Lower HPV vaccination adherence among boys may be related to a perception of low risk, lack of knowledge about the vaccine, difficulties accessing health services, and uncertainty about the vaccine itself16–20. Male resistance to receiving the HPV vaccine has also been reported in studies on vaccine hesitancy conducted across the five regions of Brazil20.
Another relevant finding was the higher chance of non-vaccination among adolescents who self-identified as black—a result also found in other studies21. A literature review on the topic indicated that higher vaccination rates among white individuals were associated with socioeconomic factors, issues of access, and knowledge about the HPV vaccine22.
Having had sexual relations and not using a condom at first intercourse were also associated with a higher chance of non-vaccination. Adolescents who are vaccinated and engage in unprotected sex face a double vulnerability to infection, given that HPV is an STI and its main route of transmission is sexual contact1.
In Brazil, only 22.8% of individuals regularly use condoms, which increases the risk of HPV infection23-1. Given this, vaccination is preferably recommended before adolescents become sexually active, to ensure protection before exposure to the virus7.
Nonetheless, many young people forgo HPV vaccination because they are concerned that their parents will associate having the vaccine with the onset of sexual activity. As a result, they end up becoming sexually active without immunization24.
The higher chance of non-vaccination among individuals aged 18 years or older, relative to individuals aged 13, may be explained by the short time span between the implementation of the HPV vaccine and the survey’s data collection period, as well as by changes to the target population for the vaccine (both sexes and expanded age group)4–5.
This study has some limitations. The information provided on HPV vaccination was self-reported and was not checked against vaccination records, which increases the possibility of recall bias. In addition, because this was a cross-sectional study, causal relationships cannot be established. Furthermore, some questionnaire items were not answered by all the participants, which may have introduced a non-response bias.
Nonetheless, the results presented here are relevant because they are based on a nationwide survey with a high level of representativeness, relating HPV vaccination status to the sexual behavior of school-age adolescents—key determinants for the prevention of the virus.
Based on the data discussed here, it is essential for public awareness-raising campaigns to be run about HPV vaccination, particularly among males. It is equally important to plan educational measures to promote men’s health care, reduce racial inequalities in vaccination, and encourage safe sex among adolescents20.
In conclusion, the school-age adolescents with the highest chances of non-vaccination were those who whose first sexual relations were unprotected, making them vulnerable to infection. Not being vaccinated against HPV was associated with being male, self-identifying as black, having initiated sexual activity, and being 18 years of age or older, when compared to those under 13 years of age.
It is hoped that this research will help strengthen health initiatives aimed at promoting safe sexual behavior and increasing HPV vaccination coverage among school-age adolescents, providing support for the activities of the School Health Program.
Future studies could formally assess effect modification by sex using interaction terms in the model adopted here or replacing this model with a stratified one. This approach could reveal which factors act differently between boys and girls, informing more targeted vaccination and health education strategies.
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Como
Citar
Machado, TCM, Andrade, JX, do Nascimento, F.F, Rodrigues, MTP, Mascarenhas, MDM, Lima, LHO. FATORES ASSOCIADOS À NÃO VACINAÇÃO CONTRA O PAPILOMAVÍRUS HUMANO EM ESCOLARES: PESQUISA NACIONAL DA SAÚDE DO ESCOLAR, 2019.. Cien Saude Colet [periódico na internet] (2026/set). [Citado em 24/09/2026].
Está disponível em: http://cienciaesaudecoletiva.com.br/artigos/fatores-associados-a-nao-vacinacao-contra-o-papilomavirus-humano-em-escolares-pesquisa-nacional-da-saude-do-escolar-2019/20132