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0241/2026 - Contexto político de la vacunación contra la COVID-19 en Brasil: evidencia de un estudio poblacional de ámbito nacional
The political context of COVID-19 vaccination in Brazil: evidence from a nationwide population-based study

Autor:

• Romina Buffarini - Buffarini, R - <romibuffarini@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-6905-8767

Coautor(es):

• Cesar Gomes Victora - Victora, C.G - <cvictora@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-2465-2180

• Pedro Curi Hallal - Hallal, PC - <prchallal@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-1470-6461

• Mariângela Silveira - Silveira, M - <mariangelafreitassilveira@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-2861-7139



Resumo:

Examinamos a associação entre o contexto político e a vacinação contra a COVID-19 no Brasil, combinando dados individuais de vacinação de 33.320 participantes do estudo EPICOVID-19 II, representativo da população brasileira, com dados eleitorais municipais do segundo turno da eleição presidencial de 2022. O contexto político municipal foi mensurado pela proporção de votos válidos recebidos pelo candidato à Presidência da República pelo Partido Liberal (PL). Considerou-se esquema vacinal completo contra a COVID-19 o recebimento de duas ou mais doses. Maior apoio municipal ao candidato do PL esteve correlacionado a menor cobertura vacinal (r = -0,37). A cada aumento de 10 pontos percentuais na proporção de votos no candidato do PL, observou-se menor chance de esquema vacinal completo (RO = 0,76; IC95%: 0,72–0,81). Também foi observada associação, de menor magnitude, com a vacinação contra influenza (RO = 0,88; IC95%: 0,82–0,95). Esses achados sugerem que os contextos político e informacional podem influenciar comportamentos relacionados à vacinação e devem ser considerados em futuras estratégias de comunicação em saúde pública, especialmente em cenários de elevada polarização política.

Palavras-chave:

SARS-CoV-2; Vacinação; Vacinas contra a Covid-19; Política; Saúde Pública; Brasil

Abstract:

We examined the association between political context and COVID-19 vaccination in Brazil by linking individual vaccination data from 33,320 participants in the nationally representative EPICOVID-19 II study with municipal electoral data from the second round of the 2022 presidential election. Municipal political context was measured by the proportion of valid votes for the Partido Liberal (PL) presidential candidate. Complete COVID-19 vaccination, at the individual level, was defined as receipt of two or more doses. Higher municipal support for the PL candidate was correlated with lower vaccination coverage (r = -0.37). Each 10-percentage-point increase in PL vote share was associated with lower odds of complete vaccination (OR 0.76; 95% CI 0.72–0.81). A weaker association was also observed for influenza vaccination (OR 0.88; 95% CI 0.82–0.95). These findings suggest that political and informational environments may influence vaccination behaviors and should be considered in future public health communication strategies, particularly in politically polarized settings.

Keywords:

SARS-CoV-2; Vaccinations; Covid-19 vaccines; Politics; Public Health; Brazil

Conteúdo:

Manuscrito
Durante a pandemia de COVID-19, a vacinação deixou de ser apenas uma questão de saúde pública e passou também a ocupar lugar de destaque no debate político e social1. Em diversos países, a polarização política parece ter influenciado comportamentos relacionados à saúde, incluindo a adesão às campanhas de vacinação2, 3. Compreender essas relações pode ser particularmente importante para o enfrentamento de futuras emergências de saúde pública, sobretudo em sociedades marcadas por forte polarização política, como o Brasil.
Estudos realizados nos Estados Unidos identificaram diferenças expressivas na cobertura vacinal entre comunidades com distintos perfis políticos, sugerindo que o alinhamento político pode constituir um importante preditor do comportamento em relação à vacinação4-7. As evidências também indicam que posições políticas mais conservadoras estiveram associadas a menor confiança nas autoridades sanitárias e nas instituições governamentais, menor percepção da gravidade da doença e maior preocupação com a segurança das vacinas e seus possíveis efeitos adversos 2. Além disso, normas sociais podem contribuir para esses padrões, uma vez que indivíduos inseridos em contextos politicamente mais homogêneos tendem a compartilhar e reforçar crenças e comportamentos relacionados à vacinação7, 8.
No Brasil, um estudo ecológico anterior identificou associação inversa entre o apoio municipal ao candidato à Presidência da República pelo Partido Liberal (PL) e um índice de vacinação contra a COVID-19 baseado no número de doses administradas nos municípios, particularmente naqueles com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)9.
Nosso estudo amplia essas evidências ao utilizar dados individuais de vacinação provenientes do EPICOVID-19 II10, um amplo inquérito de base populacional com representatividade nacional. A disponibilidade de informações individuais padronizadas sobre a realização do esquema vacinal completo oferece uma base robusta para estimar a cobertura vacinal nos municípios incluídos no estudo. Nesse contexto, buscamos investigar a relação entre o ambiente político municipal e a vacinação contra a COVID-19 no Brasil, tomando como referência o segundo turno da eleição presidencial de 2022, disputado por dois candidatos com posições políticas claramente distintas. A eleição de 2022 ocorreu em um cenário de intensa polarização política e de amplo debate público sobre as vacinas contra a COVID-19 e as medidas adotadas durante a pandemia, durante o governo do então presidente, filiado ao Partido Liberal (PL) e identificado com a direita política.
A presente análise combinou informações individuais de saúde com dados eleitorais agregados em nível municipal. O contexto político foi mensurado como uma exposição contextual no nível do município, a partir de dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral11, considerando-se a proporção de votos válidos obtidos pelo candidato do PL no segundo turno da eleição presidencial de 2022, quando tinha apenas duas opções de voto. O desfecho foi a situação vacinal contra a COVID-19, definida pelo recebimento de duas ou mais doses da vacina. Para considerar tanto a estrutura hierárquica dos dados, com indivíduos agrupados em municípios, quanto o desenho amostral complexo do EPICOVID-19 II, foram utilizados modelos de regressão logística com incorporação do desenho amostral por meio dos comandos svy do software estatístico STATA. Os modelos foram ajustados para características sociodemográficas e econômicas dos municípios, obtidas junto ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base no Censo Demográfico de 2022 e em indicadores municipais oficiais12. Foram incluídas informações sobre composição por sexo, estrutura etária, composição por raça/cor da pele e rendimento domiciliar nominal mensal médio per capita.
Observamos associação inversa entre o apoio municipal ao candidato do PL e a cobertura vacinal contra a COVID-19, com correlação linear de r = -0,37. Municípios com maior proporção de votos no candidato do PL apresentaram, em média, menores níveis de cobertura vacinal (Figura 1(A)). Como essa associação não apresentou comportamento linear, utilizamos transformação logit da cobertura vacinal. Conforme apresentado na Figura 1(B), a cada aumento de 10 pontos percentuais na proporção de votos no candidato do PL, observou-se uma redução na chance de ter o esquema vacinal completo contra a COVID-19 (OR = 0,76; IC95%: 0,72–0,81). A proporção de votos no candidato do PL também esteve associada à cobertura vacinal contra influenza, embora com menor magnitude (OR = 0,88; IC95%: 0,82–0,95). Esse achado sugere que a hesitação em relação às vacinas contra a COVID-19 pode ter produzido efeitos sobre a adesão a outras formas de imunização.
Embora o desenho do estudo não permita estabelecer conclusões sobre o comportamento político individual, a abordagem contextual sugere que ambientes sociais e políticos podem estar relacionados a comportamentos de saúde em nível populacional. O Brasil constitui um cenário particularmente relevante para essa discussão, uma vez que o debate político em torno das vacinas contra a COVID-19 foi especialmente intenso durante a pandemia9, 13. Mensagens públicas contraditórias, desinformação e desconfiança nas instituições podem ter contribuído para diferenças na adesão à vacinação. Nesse sentido, o contexto político local pode atuar na formação e no reforço de percepções, atitudes e normas coletivas relacionadas à vacinação.
Nossos achados têm implicações importantes para futuras campanhas de vacinação e para a formulação de estratégias de comunicação em saúde. As intervenções de saúde pública devem considerar não apenas a disponibilidade e o acesso às vacinas, mas também os contextos político e informacional nos quais as pessoas estão inseridas. Estratégias voltadas ao fortalecimento de confiança, à comunicação adequada e ao envolvimento das comunidades podem ser particularmente relevantes em cenários de elevada polarização política. Incorporar o acompanhamento de fatores políticos e sociais associados à adesão à vacinação pode contribuir para o fortalecimento da resposta a futuras crises sanitárias.

Financiamento: Ministério da Saúde, por meio do Termo de Execução Descentralizada nº 25/2023.
Conflitos de interesse: nada a declarar.
Ética: O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Escola de Educação Física da Universidade Federal de Pelotas (CAAE: 68382923.8.0000.5313). Os participantes forneceram consentimento livre e esclarecido por escrito.
Declaração de disponibilidade de dados da pesquisa: Os dados utilizados neste estudo estão disponíveis em: https://epidemio-ufpel.org.br/epicovid/
Uso de IA: O texto foi escrito originalmente em inglês, IA foi utilizada para fazer a tradução para a língua portuguesa.
Contribuições dos autores:
Romina Buffarini e Cesar Gomes Victora: Metodologia.
Romina Buffarini: Análise formal, Redação – rascunho original.
Mariângela Freitas da Silveira: Metodologia, Investigação.
Cesar Gomes Victora e Pedro Curi Hallal: Conceituação, Metodologia, Investigação, Administração do projeto.
Pedro Curi Hallal: Obtenção de financiamento.
Todos os autores: Interpretação dos resultados, Redação – revisão e edição, e aprovação da versão final do manuscrito.

Figura 1. (A) Cobertura vacinal contra a COVID-19 (duas ou mais doses) segundo a proporção de votos no candidato do PL em cada município no segundo turno da eleição presidencial de 2022; cada ponto representa um município. (B) Logaritmo das chances ajustadas de cobertura vacinal para cada aumento de 10 pontos percentuais na proporção de votos no candidato do PL.

Fig.1


Referencias

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3. Martins-Filho PR, Barberia LG. The unjustified and politicized battle against vaccination of children and adolescents in Brazil. The Lancet Regional Health–Americas. 2022;8.
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11. Tribunal Superior Eleitoral. Resultados das eleições: Tribunal Superior Eleitoral; [Available from: https://www.tse.jus.br/eleicoes/resultados-eleicoes.
12. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo Demográfico 2022: Trabalho e Rendimento: resultados preliminares da amostra. Rio de Janeiro: IBGE; 2025.
13. Gramacho WG, Turgeon M. When politics collides with public health: COVID-19 vaccine country of origin and vaccination acceptance in Brazil. Vaccine. 2021;39(19):2608-12.



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Como

Citar

Buffarini, R, Victora, C.G, Hallal, PC, Silveira, M. Contexto político de la vacunación contra la COVID-19 en Brasil: evidencia de un estudio poblacional de ámbito nacional. Cien Saude Colet [periódico na internet] (2026/set). [Citado em 24/09/2026]. Está disponível em: http://cienciaesaudecoletiva.com.br/artigos/contexto-politico-de-la-vacunacion-contra-la-covid19-en-brasil-evidencia-de-un-estudio-poblacional-de-ambito-nacional/20139

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