This article presents an ethnographic study of the narratives of people with chronic kidney disease about their experiences of illness, shared through the podcast “Renalcast: talking about kidney life”. Using a qualitative approach, we analyzed the content of the episodes of the first season of Renalcast, its promotional material on social networks and, finally, we conducted interviews with the creators of the project. The research stages allowed us to examine the logics and meanings attributed to the disease, to the podcast, to care, to the knowledge of patients and health professionals, aspects in which narrative construction implies a double legitimacy, by performing a position of experience and expertise. The project functions as a tool for health education aimed at caring for people living with a diagnosis of chronic kidney disease and as a space for communication and reciprocal exchanges. The results show that the podcast's characteristics of mobility, informal communication and proximity to the listening public were fundamental to the development of the “renal” narratives.
O artigo apresenta um estudo etnográfico sobre as narrativas de pessoas com doença renal crônica acerca de suas experiências de adoecimento, compartilhadas através do podcast “Renalcast: falando sobre vida renal”. A partir de uma abordagem qualitativa, analisamos o conteúdo dos episódios da primeira temporada do Renalcast, seu material de divulgação em redes sociais e, por fim, realizamos entrevistas com os idealizadores do projeto. As etapas de pesquisa permitiram examinar as lógicas e significados atribuídos à doença, ao podcast, ao cuidado, aos conhecimentos dos pacientes e dos profissionais de saúde, aspectos nos quais a construção narrativa implica uma dupla legitimidade, ao performar uma posição de experiência e expertise. O projeto funciona como uma ferramenta para educação em saúde voltado para o cuidado de pessoas que vivem com o diagnóstico de doença renal crônica e como um espaço para comunicação e trocas recíprocas. Os resultados apontam que as características do podcast de mobilidade, comunicação informal e proximidade com o público ouvinte foram fundamentais para o desenvolvimento das narrativas “renais”.